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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Programa do governo Saúde Não Tem Preço trabalha com remédios ultrapassados para Diabéticos




Imagem: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press



Lançado logo após o primeiro mês de mandato para ser uma vitrine da gestão de Dilma Rousseff, o Saúde Não Tem Preço se propôs a fornecer medicamentos de graça para diabéticos e hipertensos. Na assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em setembro, a presidente ressaltou a iniciativa em vigor no Brasil. Os pacientes, porém, encontram apenas os medicamentos mais básicos na rede composta por 20 mil drogarias intituladas Farmácias Populares. Eles reivindicam versões modernas e eficazes das substâncias. Até mesmo remédios que já fazem parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename), lista elaborada pelo Ministério da Saúde com as drogas essenciais para tratar as doenças mais comuns na população, estão fora do Saúde Não Tem Preço.

A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) fez um pedido formal ao governo de inclusão de uma droga chamada Gliclazida, um antidiabético oral já inscrito na Rename. O medicamento é considerado mais eficaz do que os distribuídos pelo programa, já tem genérico e tem duas vantagens apontadas pela SBD: menos efeitos colaterais e doses menores para o mesmo resultado. É o que os médicos chamam de “aderência”. O êxito do tratamento depende da disposição dos pacientes em tomar os medicamentos. O Saúde Não Tem Preço oferece remédios que precisam ser administrados de duas a quatro vezes por dia, enquanto a Rename já tem remédios que podem ser tomados uma única vez.

Esse princípio vale principalmente para a hipertensão arterial. “A aderência é baixa. Em média, pacientes tomam 3,6 comprimidos por dia para hipertensão arterial. Eu não percebi mudanças com o lançamento do programa”, afirma o médico Heno Ferreira Lopes, membro da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e do Instituto do Coração (Incor) em São Paulo. “Muitos relatam que não conseguem os remédios”, diz Heno.

As insulinas disponíveis nas Farmácias Populares são as regulares e a NPH. A SBD defende que o Saúde Não Tem Preço ofereça também insulinas combinadas, que evitam aplicações duplicadas no mesmo dia. “Não entendo por que uma droga que já está na Rename ainda não faz parte do programa”, critica a médica Hermelinda Cordeiro Pedrosa, da SBD e coordenadora do Programa de Educação e Controle de Diabetes da Secretaria de Saúde do DF. Estima-se que no Brasil haja de 11 a 15 milhões de diabéticos. Já os hipertensos são 33 milhões.

Alterações
Em resposta ao Correio, o Ministério da Saúde informou, por meio da assessoria de imprensa, que incorpora medicamentos ao programa conforme o “orçamento disponível”. O ministério admite que o Saúde Não Tem Preço poderá sofrer alterações. “Novos medicamentos podem ser incorporados. Recebemos periodicamente sugestões de atualização do elenco e todas são avaliadas.” A distribuição de 11 medicamentos para diabetes e hipertensão já ampliou o acesso ao tratamento em 239% de fevereiro a setembro, segundo o Ministério da Saúde.

Do Correio Braziliense

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Estudo inédito mostra que o diabetes está fora de controle no Brasil

 
RIO - Uma doença grave, que atinge pelo menos um milhão de brasileiros - a maioria crianças e adolescentes - está sendo negligenciada. A pesquisa inédita "Estudo multicêntrico de diabetes tipo 1 no Brasil", realizada durante dois anos com 3.591 pacientes de 28 cidades brasileiras, em cinco regiões, mostrou que apenas 15% dos diabéticos têm seu nível de glicemia (a taxa de açúcar no sangue) bem controlado. Isto indica que a maioria corre o risco de complicações graves, como doenças cardiovasculares, falência dos rins, cegueira, amputações, e óbito. E o problema não é a falta de fitas para medir glicemia e insulinas - materiais distribuídos de graça - e sim a pouca conscientização para a doença, cujo índice tem aumentado em todo mundo. 

INFOGRÁFICO:Saiba mais sobre a doença
 
A pesquisa - feita a partir de dados de prontuários e questionários respondidos pelos pacientes - durou de 2008 a 2010, e se trata da maior análise sobre as condições de saúde dos diabéticos tipo 1 no Brasil, e o impacto desta doença autoimune. O levantamento, coordenado pela endocrinologista Marilia de Brito Gomes, ajudará a melhorar a conscientização sobre a doença, prevenir e tratar seus sintomas. No diabetes tipo 1, o próprio organismo ataca e destrói as células beta que produzem o hormônio insulina. Sem esta substância, a glicose não chega às células e elas ficam sem combustível para fabricar energia.
Daí a importância de se fazer o diagnóstico precoce, alerta Marilia. Os pais, professores e pediatras devem estar atentos quando a criança sente necessidade de urinar várias vezes ao dia, fome frequente, sede constante, tem perda de peso, fraqueza, fadiga e irritação.
- O diabetes pode ser controlado, mas o tratamento é complexo e envolve toda a família. Portanto, é preciso seguir à risca a orientação do médico - afirma Marilia, professora associada da Faculdade de Medicina da Uerj e do Hospital Universitário Pedro Ernesto. - Nossa pesquisa indicou que 42% dos diabéticos, principalmente crianças, tiveram diagnóstico a partir de cetoacidose, ou acidose metabólica, complicação grave que requer internação e pode matar.
Doença precoce apresenta maior chance de evolução para problemas crônicos
Ainda de acordo com o levantamento - que teve apoio da Fundação Oswaldo Cruz, da Sociedade Brasileira de Diabetes e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro - a maioria dos pacientes, 71,5%, teve o diagnóstico antes dos 15 anos, e cerca de 20% antes dos 5 anos. Isto significa que a doença tem início precoce e, portanto, apresenta uma maior chance de evolução para problemas crônicos, o que implica em maior custo para o Sistema Único de Saúde e a sociedade como um todo, diz a endocrinologista.
- Estamos diagnosticando diabetes tipo 1 numa faixa etária cada vez mais cedo. Há casos de crianças com menos de 2 anos diabéticas - alerta Marilia. - Não se sabe ainda as causas, mas o excesso de peso e o maior número de substâncias tóxicas no ambiente atacando o pâncreas, a nossa fábrica de insulina, são fatores que contribuem.
Outro complicador é que, na adolescência, o jovem diabético muitas vezes se descuida e aparecem as complicações, como danos aos rins e aos olhos, além de amputações de membros, diz a médica.
- É alto o número de pacientes que morrem antes dos 50 anos - reforça a médica.
Marilia comenta ainda que a baixa escolaridade dos pacientes, associada à baixa renda econômica familiar, entre um e cinco salários mínimos, da maioria dos entrevistados (77,4%) é uma barreira no controle adequado do diabetes.
- Cerca de 6% dos diabéticos ainda em idade produtiva estavam desempregados ou licenciados pelo INSS ou aposentados devido aos males da doença - diz Marília.
Como a maioria dos casos teve início com sintomas como idas constantes ao banheiro para urinar, sentir muita sede e perder peso, Marília, sugere a elaboração de políticas de alerta em unidades de emergência para que realizem testes de glicemia em todos que apresentarem esses sintomas.
- Entre 30% e 65% dos entrevistados não haviam se submetido a um rastreamento das complicações crônicas no ano anterior ao nosso levantamento. E o mais importante: pouquíssimos tinham realizado exames para doença cardiovascular, responsável por até 44% dos índices de mortalidade - conta a médica.
Outro problema grave no Brasil é o diabetes tipo 2, que atinge de 7 a 9 milhões da população e é causada principalmente pelo excesso de peso e sedentarismo. Do total do custo direto relacionado ao diabetes, 50% são devido a danos crônicos da doença, explica Marília.
- Nossos dados ratificam a necessidade de programas eficazes de educação em saúde no Brasil - afirma Marília.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2011/08/01/estudo-inedito-mostra-que-diabetes-esta-fora-de-controle-no-brasil-925034678.asp#ixzz1TtxAiNa0
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P.S.: OBS: Faço parte do grupo dos 15% que está controlado, mas lamento em saber que existe uma quantidade enorme de pessoas sem controle. Discordo da ideia que tem fitas e insulinas gratuitamente para todos. É uma falácia! Muitas vezes é preciso entrar na justiça para ter esse direito garantido. Só uma minoria tem acesso a isso gratuitamente e regularmente. E outra, Eu só consegui um bom controle do meu diabetes depois que consegui as fitas e insulinas mais caras. Isso é fundamental para o tratamento. Embora reconheço que falta de educação também é um agravante.A desinformação é um problema para todos. A pergunta que faço é: O que o poder público da sua cidade faz para reverter isso?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Cura do Diabetes?!?! Uma causa perdida?!?!

 

Cura do diabetes?
Uma causa perdida?
Se reformularmos a pergunta, acredito que fica mais claro o questionamento.
A cura do diabetes interessa a quem?
Quem ganha com a cura?
As perguntas parecem ingênuas, mas é fundamental para entendermos o jogo de interesse que existe por trás de tal busca.
O Prêmio Nobel da Medicina, Richard J. Roberts diz que "As farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam, porque não são rentáveis".
Um fato é inegável; a resposta sempre irá contrariar a lógica selvagem do capitalismo.
Dentro desse paradigma, a vida dos diabéticos só interessa como consumidores.
É uma doença muito lucrativa.
Observe a quantidade de enfermos e o custo do tratamento.
Não é paranóia minha e muito menos fé em teoria da conspiração.
Lógico que existe muitos cientistas sérios, mas quem vai financiar suas pesquisas?
Qual dono de laboratório que, lucra Bilhões, em sã consciência vai querer perder isso? A vida humana faz tempo que deixou de ser o centro dos interesses humanos, isto é, tenho até duvidas se algum dia chegou a ser.
O que move as pessoas é o acumulo de capitais.
O dinheiro deixou de ser meio para se obter uma vida boa, e torna-se fim em si mesmo. Não dá para acreditar piamente na ciência. Ela é feita por homens, e como tais, passiveis de erros, ganância, poder, etc.
Mas isso não inviabiliza e nem impede iniciativas que "vibre em outra frequência".
Em uma frequência que esteja em sintonia com a valoração da vida, com uma ética da responsabilidade e de um desejar ao próximo aquilo que quero pra mim.
Apesar disso tudo, acredito que encontraremos a cura. Não é uma causa perdida.
É só uma questão de tempo.
Mas por iniciativas independentes ou governamentais.
Acreditar que os laboratórios estão buscando a cura é o mesmo que acreditar em papai noel.
Viver é um jogo de forças.
É uma luta constante.
Até o momento estão nos vencendo, mas acredito que podemos reverter essa situação. Desistir? É uma palavra que não faz parte do meu vocabulário. 


Piauí Diabético 


P.S.: Ah, e gostei do seu depoimento. Bem sincero, mas um muito preocupante. Procure logo um médico. Quanto antes fizer isso, menores os riscos para sua saúde.

Cura do Diabetes - (meu caso e minhas impressões sobre o tema)

Descobri que estou diabética há alguns meses. Aliás, faz muitos meses que eu digo que há alguns meses e daqui a poucos se transforma em um ano (ou dois ou três...) e eu ainda não tomei as providências que deveria, talvez tentando evitar encarar a coisa de frente.

O fato é que eu ainda não fiz um exame médico mesmo, pra saber exatamente que tipo de Diabetes eu tenho e qual o melhor tratamento. Eu sei que tenho porque comecei a sentir os sintomas – que sinto até hoje – há (muitos) meses. Principalmente sede em excesso e crises de hipoglicemia que sempre me dão muita tontura, dor de cabeça muito forte e enjoo. Minha mãe trabalha na área da saúde e já tinha um glicosímetro em casa. Então, em um dia qualquer do último mês de novembro, resolvi fazer o teste de glicemia. Deu 290. Em jejum. Por ouvir sempre ela falando a respeito e por já ter lido algumas coisas sobre o assunto, eu sabia que era um mau sinal. Na verdade, sabia que era praticamente certeza. Meu pai tinha diabetes tipo 1 (a diabetes juvenil) desde os 17 anos, a probabilidade de eu também ter era bem grande. Reduzi quase que a zero o meu consumo de açúcar, mas não consegui substituir os carboidratos. Fiz o teste, em jejum, novamente, alguns dias depois. 296. Não estava funcionando.

Eu sei que nesse momento eu deveria ter procurado um médico. A média em jejum deve estar abaixo de 124. Esses números significam a concentração de glicose no sangue, medida em gramas por decilitro (mg/dL). Mas aí eu não fui ao médico e fui adiando e adiando. Na realidade, ainda não fui. Não sinto nada além dos sintomas que falei, mas sei que não deveria estar adiando isso. Eu já procurei médicos algumas vezes, mas parece que em Teresina os endocrinologistas só atendem escondidos, rss...

Hoje é o dia da campanha entre os blogueiros do Brasil para promover um debate – não apenas entre os diabéticos – a respeito da cura para essa doença. Eu nem comecei meu tratamento mesmo, mas, de verdade, adoraria saber que poderia me livrar para sempre da responsabilidade e da obrigação de me cuidar, de controlar cada carboidrato que eu como, de verificar cada alteração na minha taxa glicêmica, do medo de ter qualquer tipo de complicação por conta do Diabetes... Eu sei que agora eu provavelmente não sentirei nada além de alguns sintomas e crises de hipoglicemia, mas no futuro, os riscos são muitos. O Junior, idealizador do Blog, me convidou para que eu escrevesse sobre a campanha. Eu aproveitei para contar um pouco da minha situação, para que os leitores do Blog possam entender a minha perspectiva diante do tema/problema.

Sim, eu acredito na cura para o Diabetes. Acredito que com boa vontade e dedicação de quem pode e tem condições de investir nisso (a.k.a. governo estadual/federal) muita coisa pode ser realizada. E, ainda não seja possível, agora, uma cura completa, que livre os diabéticos das insulinas ou dos medicamentos diários, ao menos uma forma de reduzir a forma invasiva como esses tratamentos são realizados. Se eu disser que a minha relutância em buscar o tratamento não tem a ver com a forma como o tratamento é realizado, vou estar mentindo. É claro que eu tenho medo. Não é medo da agulha da insulina. É das agulhas, das insulinas, dos remédios, dos controles glicêmicos, do stress de uma glicemia alterada, do medo de não ter a insulina necessária... Estando como estou, não me sinto exatamente doente. Apesar de saber que, no fundo, estou só me enganando.

Espero que até que surja uma solução definitiva pra o problema de todo mundo que sofre com o Diabetes, eu consiga tomar uma atitude e comece com as pequenas e eternas soluções para o meu problema.

Força pra todos nós. ;)



p.s.: Agradeço imensamente ao Júnior pela oportunidade de escrever aqui tudo isso. Escrever SEMPRE me ajuda muito. Agradeço também pelas conversas que tivemos (quase sempre com ele me mandando procurar um médico, haha). Agradeço ainda pela gentileza imensa da Jeane Melo, mãe do Enzo, que sempre foi extremamente gentil e atenciosa quando precisei dela. Estarei disponível, sempre que possível, para qualquer coisa. :)

Boa sorte (pra gente)!